Domingo, Abril 30, 2006

Dia da Rainha

Ontem foi o Dia da Rainha (Koninginnedag) aqui na Holanda. Quero dizer, é hoje, mas foi comemorado ontem. Calma, deixa eu explicar.

Dia 30 de abril é o aniversário da ex-rainha da Holanda, Juliana, que já morreu (ano passado ou em 2004). Mas filha dela Beatrix (Bea), a atual rainha, resolveu manter a tradicional festa do Dia da Rainha no dia do aniversário da mãe. O aniversário de verdade mesmo de Bea eu não sei quando é. Esse ano eles resolveram comemorar ontem porque se fosse hoje, ninguém iria acordar amanhã para o trabalho... =)

O Dia da Rainha na verdade consiste de dois: a Noite da Rainha, que é comemorada na véspera do dia 30, e o Dia da Rainha propriamente dito, que é no dia 30. O que acontece no Dia da Rainha?

Esse é o dia que a holandesada solta a franga. Nesse dia, as pessoas podem beber nas ruas, tem música em tudo quanto é canto e as pessoas têm de usar algum artefato laranja nas suas vestimentas. Outra coisa é que as pessoas vão pra rua pra vender coisas. Eles chamam isso de vrij markt ou mercado livre. As pessoas podem ir às ruas venderem o que quiser, não paga taxas, não paga nada.

E vocês pensam que é só adulto que vende coisas na rua? Nada! O que tem de criança... Sem contar com as coisas inacreditáveis que se vendem. Por exemplo, ontem eu vi uma criança que estava alugando um colchão para as pessoas descansarem. Isso mesmo. Se você quisesse descansar, pagava 10 centavos! Só não sei por quanto tempo. Outra coisa impressionante. Tinha um cara lá se oferecendo para que as pessoas jogassem coisas nele. Ovos, tomate, qualquer coisa. Tinha de pagar, claro. E as pessoas estavam pagando!

E a rainha nessa história? Bem, todo ano a família real vai pra uma cidade específica na Holanda e Bea dá um discurso. As pessoas se importam? Não! Bem, o Koninginnedag é só mais um pretexto pras pessoas enlouquecerem. Não que eles não gostem da rainha, mas acredito que eles gostem mais de poder beber cerveja nas ruas. Além do mais, o Dia da Rainha é bem na primavera, quando o sol já dá as caras por essas bandas daqui. Então as pessoas querem mais é se jogar nos parques da vida, tomando uma cervejinha. Tão certos eles. Até eu fiz isso ontem.

Outras coisas que eu vi ontem. Tinha um grupo holandês, de Breda (sul da Holanda), todo mundo vestido de verde e amarelo, tocando samba! Imitando as baterias das escolas de samba do Brasil. Tocavam mal, mas tá valendo. Ah, sim, e eu pensando que o Dia da Rainha era um dia nacionalista, que as pessoas só compravam coisas laranjas. Ontem tinha um monte de brasileiro vendendo boné, camisa, bandeira, tudo do Brasil, e muita gente sem ser brasileira comprando. E eu vi dois lugares vendendo salgadinhos brasileiros! Em um, eu comprei 3 pães-de-queijo por 2 euros! No outro, a mulher tava vendendo uma coxinha + um kibe por 2 euros. Muito caro. Fica pra próxima.

E na sexta, na Noite da Rainha, tinha um lugar onde eles tocaram KAOMA!!!!! Gente, vocês se lembram de Kaoma? Era lambada! Da mesma época que Beto Barbosa. Eu estava com mais duas amigas brasileiras, quando a gente escutou "chooooorando se foi, que um dia só me fez chorar....", começamos a cantar e a dançar no meio da rua! E todo mundo olhando... Gente, brasileiro exilado é uma desgraça, a gente fica feliz com qualquer besteira brasileira que a gente vê por aqui!

Por hoje é só, gente, tô mooooorta de cansada! Porque eu fui não somente pro Dia e pra Noite da Rainha, mas fui pra uma festa de aniversário de um amigo italiano na segunda, terça teve uma festa no prédio onde moro, quarta teve um almoço italiano e quinta teve uma festa latina, também lá no prédio. Morri. Preciso nascer de novo. Beijos pra todos!

P.S.: fotos do Dia da Rainha no meu fotolog!


Posted by Larissa at 9:26 AM

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Domingo, Março 26, 2006

Conversa de criança

Dylan, 3 singelos aninhos, sobrinho de Rinaldo, jogando rally no computador e descrevendo a paisagem do jogo:

-- Tia Larissa, olha, eu tô dirigindo na neve!
-- Legal, né?
-- É! E aqui estão as árvores! E olha o sol! Ainda bem que o tempo tá bom pra eu dirigir, né?

=))

Posted by Larissa at 12:12 PM

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Domingo, Fevereiro 05, 2006

Festival Internacional de Filmes de Rotterdam
Parte 2

Sei que não pariticipei efetivamente do festival, mas vou arriscar algumas coisinhas. Antes de irmos, Rinaldo me contou como era o esquema. De acordo com ele, a maioria dos filmes é do tipo intelectualóide, desses em tudo que querem forçar significado, metáfora e, no fim das contas, simplesmente não fazem sentido e que a maior parte do público segue exatamente esse esquema. Devo confessar que, a julgar pelos filmes "Black Sun" e "Caravaggio, L'ultimo tempo" (vide post abaixo) e por uns artigos que li no jornal do festival, essa é a idéia mesmo.

Afinal de contas, o que pensar quando um jornal publica um artigo sobre um filme onde os soldados americanos mortos no Iraque voltam para aterrorizar Bush e diz que é um dos filmes mais politicamente concisos? Pois é.

O nome do tal filme é "Homecoming" ("Voltando para casa"). Aí vai a tradução de uma parte da crítica: "(...) durante as eleições dos Estados Unidos, os veteranos da atual guerra do Iraque saem da tumba para derrubar Bush. O motivo? Esses zumbis de uniforme sentem que foram enganados ao lutar numa guerra por falsas intenções". O artigo termina dizendo que "este filme é um alerta para todos". O que dizer sobre isso? Quer coisa mais trash? Comentem vocês.

O segundo artigo é sobre uma diretora holandesa que fez um filme em São Paulo. Foi o seguinte: essa mulher, Manon de Boer, foi a São Paulo uma vez para uma exibição de seus próprios trabalhos. De acordo com de Boer, ela ficou encantada com a atmosfera carnavalesca da cidade e ficou impresisonada com a mistura de povos e a relação das pessoas com seus corpos. A princípio, ela quis retratar essa maravilhosa atmosfera paulista, até conhecer a psicanalista Surely Rolnik (estou assumindo que é uma mulher, não sei se isso é nome de homem ou mulher). Então, mudou os planos para falar sobre Ronilk, suas experiências na ditadura de 60 e suas influências de intelectuais franceses e ainda mostrar um pouco da atmosfera carvalesca de São Paulo. Minha opinião? Ditadura de 60, ótimo. Intelectuais franceses, ótimo. Atmosfera carnavalesca de São Paulo? Isso eu não sabia que existia. Mas enfim, esse parece ser um filme clássico da categoria intelectualóide. Pegar temas interessantes, misturar e não dar em nada. Afinal, como relacionar os intelectuais franceses e a atmosfera carnavalesca? E não me digam "ah, não seja preconceituosa, você nem assistiu o filme...". Realmente, não assisti e nem quero. Essa peça rara do cinema foi exibido no festival também.

Mesmo assim, acho injusto dizer que o festival é ruim. Ele cobriu filmes do mundo inteiro mesmo, com vários horários, debates, conferências, diretores de cinema... Pena que é tão carinho, né? =(

No mais, agora é esperar pelo 22o Fantástico Festival de Filmes de Amsterdam, entre 19 e 26 de Abril. Estamos aí!

O filme brasileiro "Quanto vale ou é por quilo?" ficou em 30o lugar na categoria "opinião pública"


Posted by Larissa at 4:31 PM

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Sábado, Fevereiro 04, 2006

Festival Internacional de Filmes de Rotterdam
Parte 1

Entre os dias 25 de janeiro e 4 de fevereiro, ou seja, hoje, foi realizado o 35o Festival Internacional de Filmes de Rotterdam. Não posso falar muito do festival em si. Isso porque não fui a nenhuma conferência e só assisti 3 filmes, já que o ingresso custava 8 euros. Dois filmes eu só paguei uma entrada, já que os dois ("Black Sun" e "Caravaggio, L'ultimo tempo") foram exibidos na mesma sessão. O terceiro filme foi o brasileiro "Quanto vale ou é por quilo?". Sem comentários do tipo "a pessoa é brasileira e vai pra um festival internacional de cinema assistir filme brasileiro", por favor. Não se esqueçam que eu namoro um gringo.

O fato é que foi difícil encontrar ingressos disponíveis. Eu bem queria assistir a um documentário iraniano e um outro filme árabe, porque eu sei que esses jamais vão chegar a João Pessoa, minha vila natal. Mas tava tudo lotado. Enfim.

Agora, vou falar dos filmes que assisti. Amanhã falarei de maneira geral sobre o festival propriamente dito.

Black Sun (Sol negro)

Esse é um filme britânico, sobre um pintor francês que mora (ou morou) nos Estados Unidos. Se passa nos EUA, França, Índia, entre outros países.

O filme é todo narrado pelo próprio pintor, Hugues de Montalembert. Aliás, o filme é só narrado, monólogo. O fulano perdeu a visão quando estava nos EUA e passa 1 hora inteira falando de como superou a dificuldade de ser cego. O moralismo rola solto, frases do tipo "eu nunca pensei em suicídio", "não podemos ficar com raiva, temos de transformar isso em algo bom" compõem o recheio do filme. E sempre que eu achava que o filme ia acabar, não, lá ia o homem agora refletir sobre a dificuldade de ser idoso e cego. Acharam pouco? Várias coisas que ele falava, ele repetia depois. Ou seja, você podia se dar ao luxo de sair no meio do filme, comprar pipoca, ir ao banheiro, checar e-mail, que aquilo que você perdeu seria falado novamente.

Caravaggio, L'ultimo tempo

Esse filme foi uma farsa. Resolvi assistir porque li o seguinte na sinopse do site do festival: "Martone combina poeticamente a beleza de Nápoles com os últimos anos de Caravaggio antes de ser sentenciado por assassinato". O que você espera disso? No mínimo ver a beleza napolitana e saber o que tanto aconteceu durante os últimos anos de vida do pintor. Pois. A pessoa que escreveu isso não viu o filme, leu apenas o textinho inicial que dizia que Caravaggio fugiu para Nápoles em 1606. Só.

É tanta coisa ruim que nem sei por onde começar.

O filme também é um monólogo, e quem monologa é o próprio Caravaggio. Isso só dá pra saber uma vez durante o filme inteiro (1 hora), só há uma dica que ele é ele. A narração é incrivelmente cansativa. Ao contrário do filme acima, o cara que narrava não tinha entonação de voz, não fazia pausas na fala, não expressava emoção nas palavras. Matou a língua italiana.

Enfim, o cara ia narrando sobre Nápoles em tempo presente (séc. XVII) , falando mal, mas as imagens eram da Nápoles de hoje. A propósito, não mostraram nada de bonito da cidade, mostraram exatamente a parte não-turística, mercados, favelas. No fim das contas o que o diretor Martone queria mostrar é que os valores e a vida dos napolitanos continuam os mesmos. Não que isso seja ruim, mas o cara lá da sinopse falou que ia ser mostrada a beleza napolitana.

O filme não tem atores. Quero dizer, tem um Caravaggio muito malamanhado, sofrendo, e que não convencia de jeito nenhum. E, aqui e acolá, alguém encenando algo que Caravaggio ia falando.

Agora, vem uma das piores partes. Praticamente metade do filme era exibição das telas de Caravaggio. Só as telas. Tudo bem, mostrar uma ou duas, ou três, mas foram mostradas centenas de telas, em imagem congelada. O diretor usou a obra de outro artista em benefício próprio, pra ver se deixava seu filme mais interessante. Inaceitável.

Então eu lembrei de uma livraria que eu descobri. Essa livraria vende livros de arte baratinho. Lá tem uma coleção de livros chamada "O mais belo de (nome do artista)" e tem "O mais belo de Caravaggio". O livro custa 4 euros. Ou seja, ao invés de gastar 8 euros com esse filme, eu gastaria 4 euros pelo livro e ainda sobrava 4 euros pra cerveja.

Quanto vale ou é por quilo?

O último filme do dia. Os brasileiros salvaram o dia.

Sim, o filme é ótimo. Sérgio Bianchi compara a hipocrisia e a corrupção das instituições de caridade atuais com o período escravocrata brasileiro. O filme alterna cenas dos dois tempos, sempre sobre o mesmo tema. Por exemplo, se há uma cena sobre alguém que mata outro alguém por dinheiro, há uma cena equivalente do século XVIII, onde os capitães do mato o faziam por dinheiro também. No fim das contas, nada mudou daquela época pra cá.

Mesmo sendo um filme sério, pesado até, há cenas de humor, a maioria sarcástica, claro.

No fim do dia, fiquei feliz: escutei português, escutei Cartola e vi pratos de coxinha e risole. Ok, a verdade é que morri de saudades de comer salgadinhos. Coisas que só o auto-exílio faz por você.

E os europeus também adoraram o filme também. Afinal, tinha favela, violência e até um pouquinho de samba. Era ou não era o que eles queriam ver num filme brasileiro?


Posted by Larissa at 5:34 PM

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Domingo, Novembro 06, 2005

DisorderRating
Paranoid Personality Disorder:High
Schizoid Personality Disorder:Moderate
Schizotypal Personality Disorder:Moderate
Antisocial Personality Disorder:Low
Borderline Personality Disorder:Very High
Histrionic Personality Disorder:Low
Narcissistic Personality Disorder:Moderate
Avoidant Personality Disorder:High
Dependent Personality Disorder:High
Obsessive-Compulsive Disorder:Low

-- Take the Personality Disorder Test --
-- Personality Disorder Info --



Posted by Larissa at 8:23 PM

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Sábado, Outubro 15, 2005

Como diria minha amiga Gio, que mundo pequeno! Tão pequeno que ele cabe no corredor do prédio onde estou morando. Alguém me falou, alguma vez na vida, que apenas 5 ou 6 pessoas nos separam do Papa. Alegórico, alegórico, mas eu descobri que isso é válido para o presidente Juscelino Kubitschek e para o tsunami que ocorreu na Indonésia no ano passado.

Moro num prédio destinado apenas para estudantes intercambistas da Vrije Universiteit Amsterdam. Cada andar é dividido em dois corredores, cada corredor com 13 pessoas. No meu corredor, tem gente de todo lugar do mundo: tem a ala européia (Johanna - Áustria -, Martina - Rep. Checa -, Esper e Beatriz - Espanha -, Timmy - Alemanha -, Manu - Bélgica), a ala asiática (Jeniffer - Taiwan-, Hermone e Chen - China -, Tika - Indonésia), África do Sul (Iddy), Oceania (Kieau, Austrália) e até uma certa brasileira saída da Paraíba, que ocupa o quarto de número 645A. Ela viciou alguns estrangeiros em música brasileira e colocou uma bandeirona do Brasil na janela do quarto, imaginem só a audácia!

Cada um com sua língua, cada um com seus hábitos, mas todo mundo se entende. Tem dia que a ala asiática cozinha e lá vamos todos unidos na mesma fome (essa é 100% internacional) comer comida chinesa. Ou Martina cozinha os tradicionais pimentões recheados com carne, comida checa, da boa, e lá vamos nós de novo. Ou eu faço meu molho de spagheti, que todo mundo passa mal depois que come. Digo, todo mundo fica muito feliz depois que come o molho.

Hans, um amigo de Rinaldo, disse que o lugar onde eu moro tem uma reputação má. Muitos estudantes suicidas. Não é verdade. Todo mundo muito alegre, todo mundo vivendo no melhor estilo carpe diem, festa todo final de semana, todo mundo rindo muito, música alta, ninguém brigando, conversas até altas horas da madrugada na varanda, que, definitivamente, não serve para as pessoas pularem de lá. Viver lá, com minha bandeira do Brasil na janela e alguns adesivos brasileiros na porta, amenizam muito minhas saudades.

Saudade é uma coisa que faz parte quando você está longe da família, dos amigos, do seu país, da sua língua, das suas amadas tapiocas. Mas sempre encontramos um jeito de enganar o coração. Ou melhor, de colocar a saudade de lado e trazer à tona as coisas boas que você guarda e reparti-las com sua nova família, seus novos amigos. Não é fácil, mas eu sou brasileira e não desisto nunca.

Caminhando contra o vento? Talvez. Sem lenço, sem documento? Jamais. Preciso de lencinhos de papel para meus resfriados e do passaporte pra provar que estou legal aqui. Mas sim, eu quero seguir vivendo, amor... Eu vou! Eu vou! Por quê não?

Posted by Larissa at 8:50 AM

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Como diria minha amiga Gio, Posted by Larissa at 8:49 AM

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Domingo, Setembro 04, 2005

Domingo de sol aqui na Europa é assim: vai todo mundo pro gramado mais próximo e ali mesmo ficam, fritando ao sol, por horas e horas, feito calango. Aliás, qualquer dia que faça sol é assim. Claro que eu, na minha qualidade de latino-americana-dragão-de-Komodo-saída-dos-trópicos, não faço o mesmo, até porque pode hoje o dia pode estar ensolarado, mas o vento tá muito frio ainda. Óvibio também que se fosse um dia de neve, seria eu que estaria lá fora me refestelando e eles estariam dentro de casa bebendo algo quentinho (as crianças estariam comigo).

Aqui na Holanda não é diferente do resto da Europa. Pelo menos não da Inglaterra, que é o outro lugar da Europa com cujos hábitos estou mais familiarizada.

A primeira provicência que a holandesada toma em dias assim é colocar um chinelinho, bermuda, camisa de manga curta ou sem manga, ou sem camisa mesmo, e se estirar no primeiro lugar que encontrar com sol. As mulheres, igual, inclusive a parte do "sem camisa", porque nas praias daqui elas fazem top-less.

Depois, eles podem sair de casa, ou para um parque qualquer ou para a praia. "Praia" pode ser tanto a praia de verdade quanto as artificiais, que eles constroem no meio da cidade, botam areia de praia e pronto, ficam todos felizes.

Ou não, eles podem ficar em casa mesmo e fazer um churrasquinho. O churrasco deles não é aquela muvuca que são os nossos não. Desde que cheguei aqui, os vizinhos já fizeram uns 3 churrascos e eu só sabia que era churrasco mesmo por causa do cheiro. Mas não tem música, as crianças não gritam desesperadas sabe-se lá porquê, nem vem amigo, primo, tio, vizinho e adjacências. É só o povo da casa e pronto.

Para quem não está com saco para churrascar e quer só ficar jiboiando ao sol, a opção é simples: jantar do lado de fora. Essa é clássica. Não precisa ser domingo, basta apenas o tempo melhorar (e isso vai desde uma única nuvem sair um pouco da frente do sol ou o sol solto no céu) e pronto, todo mundo janta do lado de fora, no jardim da casa.

Depois, no final do dia, quando o sol se põe, lá pelas 9:30 da noite, todos vão pra casa de novo, tranqüilos, felizes. E felicidade é isso mesmo. Essas pequenas coisas. Um dia de sol a mais na vida deles. Espreguiçar ao lado de Rinaldo, embaixo do sol. E assim ficar, enquanto o dia vai lento diante da gente.

gente, sobre o post anterior, quero esclarecer algumas coisas: eu não quero dizer que a Holanda é a terra da maconha, eu sei que aqui tem muito mais coisa do que isso. Apenas usei um estereótipo, mas não quis ofender o lugar. Da mesma maneira que os demais estudantes foram logo falando em samba, isso, aquilo, eu não me senti ofendida porque percebi que eles não o fizeram com essa intenção. Só quis deixar essa nota aqui porque só hoje eu percebi que o post poderia ser mal interpretado

Amanhã me mudo pra Amsterdam, não sei quando vou escrever de novo aqui ou postar no fotolog (isso Rinaldo pode fazer, mas sei que ele sempre tem preguiça de atualizar os logs da vida), mas com certeza no próximo sábado eu estou de volta

Posted by Larissa at 1:22 PM

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Sexta-feira, Setembro 02, 2005

Primeiros dias...

Um resuminho dos meus primeiros dias em contato com a minha *nova* universidade, a Universidade Livre de Amsterdam - VU (Vrije Universiteit Amsterdam):


* Já fiz algumas amizades com outros estudantes intercambistas, o pessoal é gente fina. Merecem destaque: 3 francesas, uma checa, uma polonesa e um americano;
* Alguma menina, quando descobriu que eu sou brasileira, disse: "nossa, do Brasil, que legal, é a primeira vez na minha vida que eu conheço uma latina!". Me senti o próprio dragão de Komodo, algo exótico, "nossa, que legal, é a primeira vez na minha vida que eu vejo um dragão de Komodo!";
* Uma das francesas me perguntou se eu gostava de sambar;
* O americano já sabia que eu ia chegar, já sabia meu nome, meu curso e universidade no Brasil (totalmente CIA e FBI isso, mas condiz com a origem do cara). Isso porque ele já tinha sido aluno de um professor meu na UFPB, que contou pra ele que eu estava indo;
* Sou a primeira estudante não-européia que está na Faculdade de Artes da VU;
* Além de ser também a primeira estudante que minha universidade, UFPB, manda para a Holanda;
* A chefona do meu departamento é uma nazista que foi logo querendo me colocar pra estudar as disciplinas básicas do curso porque "a universidade tem um padrão muito alto em língua inglesa e nós sabemos que as pessoas da América Latina não têm a cultura de estudar outros idiomas, portanto eu acho que vai ser difícil pra você cursar disciplinas mais avançadas" MAS HEIN?!;
* Mas hoje ela já foi mais simpática e até me encorajou a tentar uma disciplina do mestrado daqui (uma que eu já queria cursar, mas que o professor disse que pode ser meio carregada);
* Minhas aulas começam segunda, juntamente com minha nova vida nesse país. E eu não vejo a hora pra isso acontecer.

Saldo dos 2 dias: alguns novos amigos, alguns novos desafios e algumas muito boas expectativas em relação a esse ano que vou passar aqui na terra dos tamancos, tulipas, moinhos e maconha, porque apesar de eu poder comprar maconha aqui na Holanda, eu não posso comprar remédios à base de dipirona! =)

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