Domingo, Setembro 04, 2005

Domingo de sol aqui na Europa é assim: vai todo mundo pro gramado mais próximo e ali mesmo ficam, fritando ao sol, por horas e horas, feito calango. Aliás, qualquer dia que faça sol é assim. Claro que eu, na minha qualidade de latino-americana-dragão-de-Komodo-saída-dos-trópicos, não faço o mesmo, até porque pode hoje o dia pode estar ensolarado, mas o vento tá muito frio ainda. Óvibio também que se fosse um dia de neve, seria eu que estaria lá fora me refestelando e eles estariam dentro de casa bebendo algo quentinho (as crianças estariam comigo).

Aqui na Holanda não é diferente do resto da Europa. Pelo menos não da Inglaterra, que é o outro lugar da Europa com cujos hábitos estou mais familiarizada.

A primeira provicência que a holandesada toma em dias assim é colocar um chinelinho, bermuda, camisa de manga curta ou sem manga, ou sem camisa mesmo, e se estirar no primeiro lugar que encontrar com sol. As mulheres, igual, inclusive a parte do "sem camisa", porque nas praias daqui elas fazem top-less.

Depois, eles podem sair de casa, ou para um parque qualquer ou para a praia. "Praia" pode ser tanto a praia de verdade quanto as artificiais, que eles constroem no meio da cidade, botam areia de praia e pronto, ficam todos felizes.

Ou não, eles podem ficar em casa mesmo e fazer um churrasquinho. O churrasco deles não é aquela muvuca que são os nossos não. Desde que cheguei aqui, os vizinhos já fizeram uns 3 churrascos e eu só sabia que era churrasco mesmo por causa do cheiro. Mas não tem música, as crianças não gritam desesperadas sabe-se lá porquê, nem vem amigo, primo, tio, vizinho e adjacências. É só o povo da casa e pronto.

Para quem não está com saco para churrascar e quer só ficar jiboiando ao sol, a opção é simples: jantar do lado de fora. Essa é clássica. Não precisa ser domingo, basta apenas o tempo melhorar (e isso vai desde uma única nuvem sair um pouco da frente do sol ou o sol solto no céu) e pronto, todo mundo janta do lado de fora, no jardim da casa.

Depois, no final do dia, quando o sol se põe, lá pelas 9:30 da noite, todos vão pra casa de novo, tranqüilos, felizes. E felicidade é isso mesmo. Essas pequenas coisas. Um dia de sol a mais na vida deles. Espreguiçar ao lado de Rinaldo, embaixo do sol. E assim ficar, enquanto o dia vai lento diante da gente.

gente, sobre o post anterior, quero esclarecer algumas coisas: eu não quero dizer que a Holanda é a terra da maconha, eu sei que aqui tem muito mais coisa do que isso. Apenas usei um estereótipo, mas não quis ofender o lugar. Da mesma maneira que os demais estudantes foram logo falando em samba, isso, aquilo, eu não me senti ofendida porque percebi que eles não o fizeram com essa intenção. Só quis deixar essa nota aqui porque só hoje eu percebi que o post poderia ser mal interpretado

Amanhã me mudo pra Amsterdam, não sei quando vou escrever de novo aqui ou postar no fotolog (isso Rinaldo pode fazer, mas sei que ele sempre tem preguiça de atualizar os logs da vida), mas com certeza no próximo sábado eu estou de volta

Posted by Larissa at 1:22 PM

Cronique aqui:

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

Primeiros dias...

Um resuminho dos meus primeiros dias em contato com a minha *nova* universidade, a Universidade Livre de Amsterdam - VU (Vrije Universiteit Amsterdam):


* Já fiz algumas amizades com outros estudantes intercambistas, o pessoal é gente fina. Merecem destaque: 3 francesas, uma checa, uma polonesa e um americano;
* Alguma menina, quando descobriu que eu sou brasileira, disse: "nossa, do Brasil, que legal, é a primeira vez na minha vida que eu conheço uma latina!". Me senti o próprio dragão de Komodo, algo exótico, "nossa, que legal, é a primeira vez na minha vida que eu vejo um dragão de Komodo!";
* Uma das francesas me perguntou se eu gostava de sambar;
* O americano já sabia que eu ia chegar, já sabia meu nome, meu curso e universidade no Brasil (totalmente CIA e FBI isso, mas condiz com a origem do cara). Isso porque ele já tinha sido aluno de um professor meu na UFPB, que contou pra ele que eu estava indo;
* Sou a primeira estudante não-européia que está na Faculdade de Artes da VU;
* Além de ser também a primeira estudante que minha universidade, UFPB, manda para a Holanda;
* A chefona do meu departamento é uma nazista que foi logo querendo me colocar pra estudar as disciplinas básicas do curso porque "a universidade tem um padrão muito alto em língua inglesa e nós sabemos que as pessoas da América Latina não têm a cultura de estudar outros idiomas, portanto eu acho que vai ser difícil pra você cursar disciplinas mais avançadas" MAS HEIN?!;
* Mas hoje ela já foi mais simpática e até me encorajou a tentar uma disciplina do mestrado daqui (uma que eu já queria cursar, mas que o professor disse que pode ser meio carregada);
* Minhas aulas começam segunda, juntamente com minha nova vida nesse país. E eu não vejo a hora pra isso acontecer.

Saldo dos 2 dias: alguns novos amigos, alguns novos desafios e algumas muito boas expectativas em relação a esse ano que vou passar aqui na terra dos tamancos, tulipas, moinhos e maconha, porque apesar de eu poder comprar maconha aqui na Holanda, eu não posso comprar remédios à base de dipirona! =)

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