Sábado, Outubro 15, 2005

Como diria minha amiga Gio, que mundo pequeno! Tão pequeno que ele cabe no corredor do prédio onde estou morando. Alguém me falou, alguma vez na vida, que apenas 5 ou 6 pessoas nos separam do Papa. Alegórico, alegórico, mas eu descobri que isso é válido para o presidente Juscelino Kubitschek e para o tsunami que ocorreu na Indonésia no ano passado.

Moro num prédio destinado apenas para estudantes intercambistas da Vrije Universiteit Amsterdam. Cada andar é dividido em dois corredores, cada corredor com 13 pessoas. No meu corredor, tem gente de todo lugar do mundo: tem a ala européia (Johanna - Áustria -, Martina - Rep. Checa -, Esper e Beatriz - Espanha -, Timmy - Alemanha -, Manu - Bélgica), a ala asiática (Jeniffer - Taiwan-, Hermone e Chen - China -, Tika - Indonésia), África do Sul (Iddy), Oceania (Kieau, Austrália) e até uma certa brasileira saída da Paraíba, que ocupa o quarto de número 645A. Ela viciou alguns estrangeiros em música brasileira e colocou uma bandeirona do Brasil na janela do quarto, imaginem só a audácia!

Cada um com sua língua, cada um com seus hábitos, mas todo mundo se entende. Tem dia que a ala asiática cozinha e lá vamos todos unidos na mesma fome (essa é 100% internacional) comer comida chinesa. Ou Martina cozinha os tradicionais pimentões recheados com carne, comida checa, da boa, e lá vamos nós de novo. Ou eu faço meu molho de spagheti, que todo mundo passa mal depois que come. Digo, todo mundo fica muito feliz depois que come o molho.

Hans, um amigo de Rinaldo, disse que o lugar onde eu moro tem uma reputação má. Muitos estudantes suicidas. Não é verdade. Todo mundo muito alegre, todo mundo vivendo no melhor estilo carpe diem, festa todo final de semana, todo mundo rindo muito, música alta, ninguém brigando, conversas até altas horas da madrugada na varanda, que, definitivamente, não serve para as pessoas pularem de lá. Viver lá, com minha bandeira do Brasil na janela e alguns adesivos brasileiros na porta, amenizam muito minhas saudades.

Saudade é uma coisa que faz parte quando você está longe da família, dos amigos, do seu país, da sua língua, das suas amadas tapiocas. Mas sempre encontramos um jeito de enganar o coração. Ou melhor, de colocar a saudade de lado e trazer à tona as coisas boas que você guarda e reparti-las com sua nova família, seus novos amigos. Não é fácil, mas eu sou brasileira e não desisto nunca.

Caminhando contra o vento? Talvez. Sem lenço, sem documento? Jamais. Preciso de lencinhos de papel para meus resfriados e do passaporte pra provar que estou legal aqui. Mas sim, eu quero seguir vivendo, amor... Eu vou! Eu vou! Por quê não?

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